Monday, May 27, 2024
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Devemos reformar a Fifa, cansado de sua riqueza

O futebol é um esporte popular, mundialmente famoso, que gera enormes fluxos financeiros. Graças aos impostos e aos vários impostos que cobram, os Estados participam no desenvolvimento desta disciplina construindo estádios, apoiando selecções nacionais, supervisionando equipas pequenas…

A organização responsável pela gestão e desenvolvimento do futebol a nível internacional é conhecida: é a Federação Internacional de Futebol (Fifa). Embora seja oficialmente uma associação sem fins lucrativos, esta organização lida com somas astronômicas. Foi configurado como uma estrutura internacional independente de governo, um pouco como os bancos centrais, ainda que as missões destes últimos sejam desproporcionais à da Fifa. A organização carregada do futebol administra uma atividade divertida enquanto os bancos centrais zelam por um bem comum essencial: a moeda.

Provocar os líderes

A Fifa havia anunciado uma receita de 7,25 bilhões de euros (4,756 bilhões de francos CFA) nos últimos quatro anos e após a Copa do Mundo no Catar. O lucro líquido atingiria assim os 967 milhões de euros (634 milhões de F CFA). Deste montante, cerca de 290 milhões de euros (190 milhões de francos CFA) seriam destinados a apoiar financeiramente as federações após a pandemia do coronavírus. Recorde-se que em 2015, uma investigação iniciada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por corrupção deu origem a um grande escândalo, que precipitou a saída de alguns dos dirigentes da Fifa.

Também não podemos esquecer os problemas de governança identificados nas confederações continentais e associações nacionais. A FIFA, assim como suas filiais, parece debochar dos representantes governamentais dos povos que, aparentemente, se deixam abater pelas questões. Diante do contexto internacional, caracterizado por um crescimento global lento e uma pobreza cada vez maior, não é mais aceitável que um pequeno grupo de pessoas gerencie as enormes somas do futebol mundial e acredite que tudo pode.

As reformas que recomendamos são de vários pedidos. Primeiro, devemos colocar os Estados de volta na sela. Isso implica devolver-lhes o poder diante da Fifa, em particular redefinindo os limites em que exercem o controle democrático sobre a federação e sobre seus vários satélites. Portanto, é necessário questionar de antemão a permissão ou não da FIFA, uma associação sem fins lucrativos, para obter lucros.

Estados acionistas

Criada há mais de cem anos num contexto totalmente diferente e marcada pela complexidade dos problemas contemporâneos, a FIFA deveria desenvolver o seu estatuto jurídico, bem como os seus procedimentos e regras de intervenção. Passar da condição de associação à de estabelecimento público internacional dotado de personalidade jurídica não seria heresia.

Bônus ganhos internacionalmente, por razões de equidade, se beneficiários de serem devolvidos aos orçamentos nacionais

Essa mudança permitiria, assim, estabelecer um capital social e fazer com que os diversos Estados membros da Fifa se tornem seus acionistas enquanto participavam do bom funcionamento dos órgãos sociais. Estes poderiam estruturar-se num Conselho de Administração – que reuniria trimestralmente – constituído por altos especialistas do futebol nacional, e num Conselho de Governadores – bianual – representado pelos Ministros responsáveis ​​pelo Desporto. Um pouco como organismos de Bretton Woods: Banco Mundial e FMI.

A reforma da Fifa também requer alguma transparência das federações nacionais. Em países onde grande parte da população vive com menos de um dólar por dia, é normal que o Estado se coloque como garantido da probidade das equipas de gestão nomeadas nas federações nacionais. Cabe obviamente a estes Estados definir as políticas desportivas, coordenando os respectivos orçamentos, em particular os relativos à sua participação em competições internacionais. Por outro lado, os prémios auferidos internacionalmente, por razões de equidade, beneficiariam de serem devolvidos aos orçamentos nacionais de forma a garantir a sua boa utilização e uma melhor distribuição desta riqueza pela população.

Código de ética e vontade política

A profissionalização da governança da instituição é também uma das medidas a considerar no quadro da reforma que recomendamos. Isso pode passar pela limitação da obrigatoriedade do presidente da Fifa e de seus principais colaboradores a cinco anos, renováveis ​​uma vez. Seria então necessário nomear verdadeiros dirigentes em vez de favorecer a “cooptação” de ex-futebolistas sem competências de gestão.

Também seria apropriado tornar públicos os emolumentos dos dirigentes, para garantir um duplo controle das atividades da organização por meio de pelo menos duas empresas internacionais escolhidas pelas Nações Unidas. É importante que os Estados-Membros consigam importar à Fifa uma carta ética e um sistema de comunicando para que possam acompanhar melhor a evolução das atividades da organização.

Esta reforma seria incompleta se não incluísse um componente social. Caberia, por exemplo, à FIFA, ampliar a lista de beneficiários dos benefícios da atividade futebolística. Podemos muito bem imaginar que a FIFA dedique 20% de seus lucros para apoiar a causa das crianças e dos deficientes.

Para que essas reformas vejam a luz do dia, é preciso vontade política, na medida em que a Fifa parece ser a priori um “mamute” difícil de manobrar, que sempre viveu no conforto e que hoje cristaliza os interesses de grandes empresas multinacionais. Reconhecido por não transigir com as regras de boa governança, os Estados Unidos podem se apresentar como a autoridade competente para este gigantesco site de Trabalho.

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